sábado, 24 de dezembro de 2011

FRETE E O CALCULO POR KM


 Por que será que tem gente que calcula frete por quilômetro. Será mesmo que está certo? Será que tem alguma lógica?Vejamos então qual o raciocínio lógico que levam as pessoas a pensar em frete por quilômetro: o principal custo do caminhão e mais sentido pelo caminhoneiro é o combustível. Bom o combustível é consumido por quilômetro rodado, portanto, o frete por quilômetro está ai explicado. É, explicado está, mas justificado nem de perto ficou.
Sem dúvida o combustível está relacionado com o transporte, mas não é só ele que o caminhão gasta. O IPVA é um exemplo típico que contradiz a afirmação acima. Sim, pois, este também é um custo do veículo, mas ele independe da quilometragem que o veículo roda – ou o governo está preocupado com a quilometragem que o veículo vai rodar durante o ano na hora de definir o valor a ser cobrado de IPVA todos os anos. E este é apenas um deles.
Fato é que o veículo possui custos que realmente variam com a quilometragem, o que se lamenta é que a maioria das pessoas que lidam com transporte, infelizmente só lembram do combustível. Isto ocorre porque este não deixa que ninguém se esqueça dele, chamando a atenção do motorista todo dia, e as vezes mais de uma vez por dia com o ponteiro do tanque vazio do caminhão. Mas esquecem que o caminhão, em uma viagem, também gasta peças, pneus, lubrificantes, se suja, e isto tudo também varia com a quilometragem.
Alem disso, o transporte tem outros custos ligados ao veículo: o custo de troca do caminhão, seguro do casco, licenciamento, salário do motorista, etc. E, ainda, os custos que não estão ligados diretamente ao veículo, mas são da atividade de transporte: INSS, despesas bancárias, telefone, sindicato, despesas de viagem (alimentação, pedágio, chapa, entre outros).
Se tudo o que foi comentado até aqui não bastar para nos convencer que a análise do frete por quilômetro não se justifica na grande maioria dos casos, o exemplo a seguir não deixará dúvidas sobre este assunto.
Imagine a seguinte situação:
1. A rota São Paulo – Rio de Janeiro.
2. 500 km de distância
E, se têm, dois clientes distintos para esta rota: o cliente A onde a viagem, que compreende o tempo de carregamento, a viagem propriamente dita e o tempo de descarregamento, demora 2 dias. E o cliente B onde esta mesma viagem demora 4 dias, pois neste caso há problemas na hora de carregar e descarregar.
É correto receber o mesmo valor nos dois casos porque, simplesmente a distância a ser percorrida é a mesma. Sim, porque é o que acontece com o frete por quilômetro, ou seja, nos dois casos o preço seria:
(500 km) x (Preço do km)
Certo. Mas, se pensarmos só no que se gasta com alimentação, nós perceberemos a incoerência desta situação. No caso do cliente A gasta-se o equivalente a 2 dias com refeições, já no caso B são 4 dias de refeições, ou seja, no caso B gasta-se o dobro em comida que no A. Onde, se percebe a injustiça do recebimento e das comparações feitas de fretes por quilômetro.
Quem está envolvido com o transporte deve se lembrar que o mesmo tem custos que variam com a quilometragem sim. Mas também têm uma série de custos que independem da mesma e sua variação é com relação ao tempo gasto para execução do serviço de transporte. E está é uma verdade que não pode ser contestada, pois ela vale para todas as atividades que envolvem transporte independentemente do veículo utilizado (caminhão, ônibus, automóvel, motorcicleta, avião, trem, etc).
Mas para não dizer que este tipo de avaliação não vale nunca, podemos dizer que ela só é válida para as rotcujo número de viagens por mês for sempre o mesmo, ou seja, quando a quilometragem rodada pelo veículo durante o mês for sempre a mesma.

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